O renascimento do cinema de bairro em cidades médias brasileiras
Salas de 80 lugares reabrem em shoppings de rua e mudam a forma de ver filme.
Depois de uma década de cerração, pequenas salas de cinema voltam a abrir em cidades médias do interior paulista e mineiro. Não são multiplex: têm entre 70 e 120 lugares e ocupam galpões reformados em centros de rua.
Letícia Tomaz visitou quatro salas em seis semanas. O modelo é parecido: programação curada, bilhete entre R$ 18 e R$ 28, bar com cerveja local e uma programação mensal discutida com assinantes.
“O público voltou não porque o filme melhorou, mas porque o lugar virou encontro”, diz o programador de uma sala em Ribeirão Preto, que reabriu em 2024 e hoje tem 600 assinantes.
Os números ainda são pequenos, mas o movimento chama atenção de distribuidores. Dois estúdios independentes passaram a liberar cópias para circuito paralelo fora da janela dos multiplex.
O risco é a dependência de um único programador. Quando esse elo sai, a sala costuma fechar em meses — padrão observado em três casos desde 2023.
Para o espectador, a vantagem é sair da lógica do salão gigante. Para a cidade, é reocupar o centro à noite, algo que shoppines periféricos nunca trouxeram de volta.