Geração que não quer comprar casa: o que muda nas cidades
Pesquisa com 2.400 jovens mostra virada no padrão de moradia em regiões metropolitanas.
Uma pesquisa com 2.400 jovens entre 22 e 34 anos, em cinco regiões metropolitanas, mostra que apenas 31% pretendem comprar imóvel nos próximos dez anos — contra 58% numa pesquisa equivalente de 2016.
As razões não são só financeiras, embora o preço médio de um apartamento de dois quartos nas capitais tenha subido 47% na década, segundo o índice consultado pela reportagem.
A principal motivação apontada é mobilidade: 64% dos entrevistados valorizam poder mudar de cidade por trabalho sem se prender a financiamento de trinta anos.
Camila Fust cruzou os dados com o mercado de aluguel. A oferta de contratos curtos (12 a 24 meses) cresceu 22% em dois anos nas capitais, segundo imobiliárias consultadas.
O efeito colateral: o aluguel subiu mais que a inflação em bairros centrais, justamente onde essa geração prefere morar.
Para o setor imobiliário, o sinal é de desconforto. Quatro construtoras ouvidas admitiram revisar projetos para unidades menores e mais flexíveis — um movimento que ainda não chegou ao lançamento.