Tecnologia

Inteligência artificial nas pequenas redações: o que de fato funciona

Três veículos regionais testaram ferramentas por seis meses. Nem tudo virou produtividade.

Pequenas redações brasileiras testaram assistentes de escrita e transcrição por seis meses. O saldo, segundo três veículos que abriram seus processos, é de ganho real em uma tarefa e frustração em várias outras.

O que funcionou: transcrição automática de entrevistas em áudio. Redação de Belo Horizonte reduziu de três horas para quarenta minutos o tempo de cada reportagem longa.

O que decepcionou: geração de texto pronto para publicar. Nem um dos três veículos publicou matéria escrita primeiro por máquina sem revisão pesada — e a revisão, às vezes, demorava mais que escrever do zero.

“A ferramenta acelera o que é mecânico e atrapalha o que é editorial”, resume a editora-executiva de um jornal do interior de Minas.

Outro ponto sensível: custo. Os planos consumiram entre 8% e 14% do orçamento operacional das redações, um valor alto para veículos que vivem de assinaturas.

O consenso entre os três veículos: usar IA para transcrição e checagem de números, manter a escrita humana e nunca publicar texto gerado sem revisão de quem assina a matéria.

Rafael Dória
Rafael Dória

repórter de tecnologia. Cobre o impacto de ferramentas digitais em redações e pequenos negócios.

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